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Coincidências II (Marco Guimarães)

Estava convencido de que nesse editorial deixaria de lado as ligeiras incursões em algumas áreas, predominantemente humanas e sociais, e falaria sobre um tema ligado a fisioterapia.  Um fato, ou melhor, uma discreta coincidência entre um livro e um filme impediu-me de fazê-lo. Já havia escrito um editorial, há algum tempo atrás, que falava sobre coincidências. À época busquei amparo na psicologia analítica de Jung (Carl Gustav), a qual gravita no circuito dos estudos das polaridades e sua integração ao inconsciente coletivo. Para que nos situemos, é bom lembrar que Jung postulou que a atividade da mente inconsciente podia se projetar no mundo externo dos fatos, em aparentes coincidências , e os fatos do mundo externo do universo poderiam coincidir com os arquétipos do inconsciente coletivo. Acredito que possamos utilizar a definição ortodoxa de coincidência como sendo o significado de coisas que acontecem em uma sequência acidental de fatos ou em um mesmo período de tempo, para explicar o que escrevo a seguir.

Com uma personalidade camaleônica, confirmada pelos astros e por meios pouco ortodoxos de adivinhações, venho, ao longo de minha vida, me envolvendo com projetos e situações que se renovam de tempos em tempos e que, aparentemente, não se relacionam entre si. A minha última e ousada incursão  volta-se para a literatura. Acordei um belo dia e disse para mim mesmo: “Vou entrar no mundo ficcional”. Sete meses depois estava com o meu primeiro romance escrito.

Não sei até quando continuarei percorrendo o caminho das letras, na condição de escritor, mas, a julgar pela intensidade e paixão que esse novo oficio vem me  despertando, suponho que esse ciclo me acompanhará até o final da minha vida. Mas isso não importa. Voltemos ao meu primeiro romance, porque irei utilizá-lo para explicar o motivo desse editorial.  O livro em questão é um meta romance, em que um dos  protagonistas é um  flanêur,  que caminha por entre as ruas de Paris e  pensa estar vendo alguns escritores  já mortos, dentre os quais, Gertrude Stein, Proust , James Joyce , Scott Fitzgerald ,Ezra Pound e Virginia Woolf.

Mas onde estaria a aludida coincidência? Há um filme de um diretor norte americano, muito famoso, em cartaz há dois meses no Brasil, que aborda uma temática muito parecida com a que abordei no meu livro: um roteirista americano muda-se para Paris e começa a ver escritores e outros artistas já mortos. Ainda que ache que as semelhanças não cheguem ao nível atribuído pelos leitores, que me telefonaram ou enviaram e-mails para relatar o fato, reconheço que o diretor do filme eu pensamos algo muito parecido. Embora meu livro tenha sido lançado em 2010 e o filme tenha saído em 2011, é bem possível que os nossos pontos coincidentes tenham sido pensados no mesmo momento.

Na época, eu estava em Paris e o diretor em questão deveria estar em Nova York, com quase seis mil quilômetros de distância nos separando, mas também não faria nenhuma diferença se estivesse na mesma rua que eu. O fato é que nossos pensamentos se cruzaram em algum momento. Acredito que outras coincidências estejam, agora mesmo, ocorrendo com zilhares de pessoas. Não se surpreendam pois, se virem  um projeto ou um trabalho idêntico aos seus serem reproduzidos por outrem

Adianto, caso haja alguém pensando em escrever ou já tenha escrito algo semelhante, que meu segundo romance, que já está na editora (http://www.octavo.com.br), deverá ser lançado em outubro e trata da difícil relação entre um autor, que insistia em utilizar um pseudônimo, e seu editor, que o roubava desbragadamente.